Tradução e Interpretação da Paranormalidade
Os oráculos ocupam um lugar curioso na história da humanidade. Em cada época, em diversos tipos de governos e sociedades organizadas encontraremos sensitivos que influenciaram decisões e caminhos com suas previsões/canalizações.
Uma das funções da paranormalidade é facilitar os caminhos de organização do indivíduo e da sociedade, criando atalhos, propostos por uma leitura não racional e emocional da realidade. Estas leituras são traduzidas levando em conta a cultura, a época e o âmago do sensitivo.
Para interpretarmos corretamente o que captamos, precisamos de estrutura psíquica, um conhecimento não formatado em faculdade, um conhecimento de troca de idéias, um conhecimento de troca de experiências, um conhecimento de reestrutura do ser, de realinhamento de si mesmo, um realimentar a si próprio com tudo que se absorve interna e externamente.
Processo individual
O processo de organização de cada paranormal é individual, único e dura a vida toda. Para descobrirmos nossos parâmetros de tradução, precisamos nos escutar e também, procurar outras pessoas, outros conhecimentos e experiências. O realinhamento interno ou o auto conhecimento necessita da troca.
Troca e comparativo
Quando aceitamos trocar, assumimos que não somos donos da verdade. Conhecendo processos de terceiros, poderemos fazer um comparativo com o nosso. Como trabalham suas energias e captações, como organizam suas histórias e leituras. O que sentimos que está faltando no processo deles e no nosso. O que estamos alimentando positivamente e negativamente. A que ponto anda a nossa ansiedade para que façamos a interpretação sem estrutura psíquica, sem ter ferramentas próprias, usando as ferramentas dos outros.
Ferramentas internas
Precisamos conhecer profundamente nossas ferramentas, ou seja, nossos processos racionais, emocionais e paranormais.
Racional
Fazemos o processo racional quando buscamos cultura e conhecimento no passado, no que está acontecendo com outros paranormais, o que eles acertaram, não no sentido de previsões, mas como ensinamentos e postura de vida, o que eles não fizeram, o que poderiam ter feito e qual o resultado prático.
Emocional
Trabalhamos o emocional quando reconhecemos nossos traumas e o grau de fantasia, que pode determinar se entramos nesta área por estarmos fugindo de alguma insegurança ou impulsionados pelo ego ou por auto afirmação.
Paranormal
O processo paranormal ou sensitivo deriva de nossa genética, herdamos uma capacidade ou um conjunto de capacidades paranormais. Já nascemos com elas e não poderemos desenvolver outras.
Exemplo prático:
Precisamos prestar atenção. Por exemplo: se estivermos vendo um vulto, vamos ter tranqüilidade, vamos dar um tempo para entender, vermos se é um vulto, um espírito, a nossa própria energia ou se é algo do ambiente no qual estamos. Depois de adquirirmos estrutura emocional, aprendemos a observar à situação, não ficarmos ansiosos, com medo, fantasiando que o vulto é isso ou aquilo. Constatarmos que simplesmente é um vulto e com segurança e postura faremos a leitura correta. Para identificarmos se estamos recebendo uma mensagem ou criando uma fantasia precisamos do equilíbrio psíquico e emocional. A mensagem é o momento, rápido e objetivo e a fantasia passa pelas emoções com euforia: “ai que lindo, que maravilha!!”.
Disciplina e atenção
O processo de tradução exige atenção e disciplina, por exemplo: “Bem, eu vi um vulto e esse vulto me passou incômodo, vou prestar atenção no porque deste incômodo, se este incômodo não é meu, o que ele quis dizer pra mim, e prestar atenção até mesmo na seqüência do meu dia, no decorrer dos acontecimentos do dia e dos dias que virão”. Adquirimos tranqüilidade e segurança com a seqüência das ocorrências das captações. O processo de paranormalidade é vivenciado e tem uma sucessão de situações relacionadas com a primeira percepção. Pode passar dias para a mensagem vir completa e clara. O que atrapalha a leitura correta é a ansiedade, a insegurança, o medo, o ego, forçando um processo que ainda não está maduro para acontecer.
Diversidade de leituras
Existem diferentes previsões sobre os mesmos assuntos. Eleições, guerras, fim do mundo. Cada paranormal faz sua leitura através da “calibragem de sua antena”. Não existe uma antena igual à outra e nenhuma é melhor que a outra, o que é importante é sabermos usar a antena que temos. Criarmos nosso código próprio de leitura e os mecanismos de dividir isso com alguém ou divulgar. A variedade de processos paranormais e a falta de um conhecimento prático criaram a enorme discórdia existente entre cientistas, céticos, paranormais, parapsicólogos, charlatões, místicos, e oráculos verdadeiros. Uma vidência ou uma intuição tem a mesma intenção, o que muda é à proporção que pode atingir um indivíduo ou uma geração. A tradução pessoal, sempre o primeiro processo, é o mais importante e o mais necessário. Sem fazer o primeiro processo que é o interno, o paranormal acaba sendo incoerente com o que ele capta, porque a coerência esta na reestrutura. A seqüência natural é captar e se organizar internamente. Os paranormais mais jovens, com pouca experiência, captam e passam rapidamente as previsões adiante sem trabalhá-las e completá-las, ficando vulneráveis e não se organizam. Da mesma forma que vemos “que vai pegar fogo na casa da vizinha do lado”, vemos “tem alguma coisa errada”, internamente sentimos que “não podemos fazer tal negocio”, sentimos que “temos que ter calma”, sentimos que “não é para brigarmos”, mas o nosso Ego não permite isso, o nosso Eu racional não permite isso, então vamos fazer um processo externo, com terceiros que é mais fácil.
Conclusão
Paranormalidade é normalidade, temos razão, emoção e sensibilidade, se trabalharmos apenas com um desses processos não somos normais.
Rosa Maria Jaques é jornalista (MTE 15.5840) e paranormal, apresenta o Programa Visão Paranormal, o primeiro caça fantasmas do Brasil que pode ser assistido em youtube.com/rosamariajaques. Contato: visaoparanormal@gmail.com